A Busca da Referência Materna

Mae e filho brincando

Sabem por qual motivo as mães estão sempre em busca de referências?

Porque é difícil acreditar em si mesma. É difícil crer no que nossos instintos, o nosso super poder, é capaz de fazer. A gente nunca quer errar. A gente quer acertar todo dia, prever e suprir todas as necessidades. Fizeram a gente acreditar que a boa mãe era impassível de defeitos.

 

Então a gente vai atrás de ídolos pra copiar. A gente vai procurar uma mãe pra "imitar". A gente quer o carrinho que vira avião, aquela roupa de tecido egípcio e com o tigre estampado, a gente quer varar a madrugada insone e acordar capa de revista, claro, porque a mãe perfeita também tem o corpo, cabelo e pele intactos. Se não, não tá certo. Se não, não tá funcionando.

 

Eu nunca fui de modismos e talvez isso tenha colaborado pra essa visão mais simplista da maternagem. Não foi sempre assim, mas tem sido na maior parte do tempo. Eu faço o que é possível e isso me livrou de um bom percentual da culpa materna. A equação é fácil: eu tenho que trabalhar pra sustentar meus filhos e tenho que ter tempo de qualidade com eles, junto e separado. Tenho que ter um tempinho pra mim (e esse sempre é o pedaço que varia e fica em segundo plano quando preciso) e tempo pra todas as outras coisas que estão sob minha responsabilidade.

 

Eu consigo sempre? Não. Tem muitos dias de caos, tem dias de solidão, acreditem. Então eu respiro e penso que apesar de não ter sido como planejado, eu fiz e faço o melhor que eu posso. E tá tudo certo, amanhã é outro dia. E outros dias virão. Meus filhos não vão me amar menos por eu não cumprir um cronograma à risca, mas vão lembrar morrendo de rir do dia que jantamos todos juntos no chão da cozinha porque a mesa estava amontoada de tralhas e eu fiquei com preguiça de arrumar. Da guerra de travesseiros no domingo que fez a gente almoçar às 15h. Do dia das mães na escola em que nos atrasamos porque primeiro acudi o bebê cheio de cocô e chorei no caminho todo no carro com o tanto que eu sonhei com aquele dia. Do entusiasmo com que eu vibrei todas as primeiras, segundas, terceiras e todas as vezes e conquistas, ainda que meu cabelo estivesse preso num coque de tão sujo e meus quilos a mais não me deixassem vestir uma roupa bacana.

 

A mãe bacana que eu construo pros meus meninos todos os dias me encara no espelho com medo de me julgar. Ela sabe que por trás dessa aparência fora dos padrões e desse ritmo desenfreado tem uma mulher que todo dia se reinventa e cresce muito, já já vira um gigante. 

 

 

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