#Agosto Dourado: Amamentação por Ariadne Rolim

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Fui mãe numa fase mais madura da vida. Aos 30 anos, já havia vivenciado muitas experiências e dores, e encarei a doce missão da maternidade de peito aberto. Mas nenhum sentimento se compara ao que surgiu em mim quando nasceu meu primeiro filho.

 

Nenhum desafio foi tão delicado e extremo. Nunca me senti tão sozinha. Nesse ponto pode ter surgido uma baita interrogação na sua testa. Mas eu te explico.

 

A gente vive um turbilhão de emoções difíceis de serem explicadas, e enxerga com lupa os percalços que passa. Fica frágil! E nem sempre recebe apoio. Na maior parte das vezes, vivenciamos uma enxurrada de críticas, e não estamos preparadas para responder à altura. 

 

O calo que mais aperta nos sapatos é quando você decide que irá alimentar seu filho através do poder do seu corpo. Fui tão ingênua. Acreditei que todos à minha volta compartilhavam a opinião de que o aleitamento materno era, sem dúvida alguma, a melhor opção.

 

Desde o início dos tempos as mães, de todas as espécies, amamentam suas crias né? É natural, fisiológico. Mas não foi bem assim.

 

Eu era a única que insistia na minha capacidade nutritiva. Fui duramente criticada, questionada e mal orientada. Faltou apoio, faltou empatia por todos os lados. Sobrou solidão. Virou abismo.

 

Mergulhei numa depressão severa e duvidei de mim. Alguma força me manteve amamentando, mesmo com complemento, até que meu filho espontaneamente não o quisesse mais. Foi essa mesma força que me fez reerguer desse buraco em que me afundei. Amor!

 

Recuperada, fui mãe novamente e, adivinha! Questionada mais uma vez. "Mas é lógico que vai precisar complementar de novo", foi o que mais ouvi. A diferença é que me encontraram refeita, forte, uma rocha. E na maternidade não tem nada de lógico. A gente sempre pode fazer mais e melhor.

 

Lição aprendida, informação (o grande escudo!), pessoas capacitadas, empoderamento, luz! Amamentação de sucesso, cabeça em paz! 

 

Essa carga também está presente hoje, no aleitamento do meu terceiro filho. Mas me pergunta se as críticas e os palpites cessaram? Acho curioso o atrevimento das pessoas em me questionarem nessa altura do campeonato, mas hoje recebo com uma baita gargalhada. Aqui não, violão.

 

A conclusão a que cheguei, vivenciadas essas três experiências, é que o mundo hoje é covarde com as mães. O julgamento constante e os pitacos sem fundamento minam o resto de sanidade que tem a lactante, afogada num mar de hormônios enlouquecidos. Vira uma bola de neve.

 

E de onde ela precisa de mais apoio, muitas vezes é de onde escuta as mais severas críticas. É cruel e desumano. Mas não é o fundo do poço. É possível fazer diferente com a trilogia informação - dedicação - empoderamento. E entender que certas coisas acontecem independente da nossa vontade e não é o fim do mundo. Larga a lupa pra lá e foque no que é possível, a maternidade possível. 

 

Da vivência, a grande lição: somos muito mais capazes do que imaginamos.

 

 

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