Que peso tem o amor?

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Parece ser unânime entre as mamães: slings e cangurus são ótimo! São práticos e deixam suas duas mãos livres pra seguir a vida normal, enquanto seu bebezinho descansa bem grudadinho em você. Aparentemente os pequenos amam, pois se sentem como quando estavam no ventre. Sentem todos seus movimentos, seus batimentos cardíacos. Que ótima nova invenção! Oh, wait...

 

 

Slings e cangurus não são novidade. Pelo menos aqui na África do Sul são usados há milênios. Negras de origem Zulu e Xhosa usam cobertores e toalhas, ou qualquer outro pedaço de tecido, para prender seus bebezinhos nas costas, e poder seguir fazendo compras, serviços domésticos, etc. É de cair o queixo a praticidade que se tem em colocá-los ali. Algumas crianças têm mais de um ano, e ainda adoram ficar nas costas da mamãe.  Se ficou curiosa, pode ver esse vídeo aqui, que ensina como fazem a amarração.

 

 

Isso é algo cultural, e muitas vezes é até aceito que a mãe vá ao trabalho com o filho nas costas. É lindo de ver...e quase poético. Afinal, toda mãe, de algum modo, leva o filho nas costas, não é mesmo?

 

 

O curioso é que eu nunca vi, em 10 anos, um senhor Zulu ou Xhosa sul africano com seu filho nas costas. Deve ser cultural também, e devo me aprofundar nisso antes de escrever sobre esse outro ponto por aqui. Mas o meu ponto é: incrível como toda mãe já se coloca esse papel, o de carregar todo o peso nas costas, de forma automática, desde o início de tudo e a sociedade ainda faz questão de ajudar. Não pode reclamar dos incômodos da gravidez, não pode reclamar do estresse do período de adaptação após o parto... tem que carregar nas costas. Por isso é tão lindo ver uma geração de papais cada vez mais prontos para assumir o papel como um todo. Isso de “ajudar” é besteira do mais alto calão. Pai não “ajuda”. Pai é pai. E ponto. Tem que levar nas costas também, literalmente.  E tem papais usando slings, e cangurus, e é muito bacana de ver!

 

 

Afinal, não entenda que me refiro a “levar nas costas” como um fardo. Longe disso, pois a gente só escolhe carregar peso do realmente importa. E que peso tem o amor?

 

 

Karina Polycarpo é artista plástica e produtora cultural, brasileira que vive em Johanesburgo com seu marido Sul Africano. Entusiasta das pequenas coisas lindas da vida, planeja expandir a família em breve e mal pode esperar para compartilhar mais relatos sobre assuntos diversos, como a vida longe de seu país, a expectativa da gravidez e a maternidade vegetariana. Trabalha com aquarela, artesanato, ilustração e mais um monte de coisas fofas, que você pode acompanhar no seu Instagram.

Site: www.karinapolycarpo.com.br  / Instagram: @karina_polycarpo_arts

 

Priscyla - 04/03/2016

Eu solicitei umas amostras para distribuição entre minhas clientes queria uma posição para saber se posdo contar com vcs. Aguardo att Priscyla

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